“Você ainda vai dizer pra todo mundo que um dia me conheceu. Que um dia conheceu alguém que era capaz de fazer tudo por você, que aturava suas crises de choro e seus dias de nervosismo. Alguém que te conhecia tão bem, que nunca precisava perguntar pra saber como você realmente estava. Conta pra todo mundo, grita se quiser, diz que chora rodas as noites apenas por que me perdeu, e quando perguntarem o por que de você não ir atrás, diz que eu tive que ir, e que você não teve forças pra me puxar de volta.
“E enquanto eu lia as mensagens antigas no meu celular, encontrei uma sua que dizia “eu te amo, não esquece”. É, e engraçado… Acho que quem esqueceu foi você.
beforemypanicattacks:

Então eu perdi os sentidos mais uma vez, quando você me disse pra puxar com força e prender o ar nos pulmões, como quem prende um amor.
Perdi o timing pra dizer que subiu, lá pros meus pensamentos, o teu cheiro de poeira nova, bem daquelas que, chatas, cobrem a mobília e tudo o que mais…
“É o mesmo amor, a mesma dor, a mesma saudade. Só mudou a pessoa, pois minha burrice é sempre a mesma. Acredito em qualquer conversa fiada, caio em qualquer cantada.
“Segundas-feiras, o tal Slash e o maldito aconteceu alho.
Sempre achei bobagem aquele discursinho que se precisar perder algo para se dar valor, até o dia em que vi ela saindo pela porta da frente. Ela foi a pessoa mais mal humorada que eu já tive a feliz oportunidade de conhecer, gostava de segundas-ferias, odiava ketchup e seu maior sonho era que uma grande parte das pessoas explodissem em milhares de pedacinhos. Pode parecer loucura, mas eu adorava o jeito dela e gostava mais ainda quando ela fingia não se importar com quase nada. Acho que ela nunca quis agradar, mas estava lá presente em todos os momentos, ela ficava em silêncio e me olhava como seu eu fosse aquele guitarrista que ela tanto gostava fazendo aquele solo incrível, Slash o nome dele se não me engano. Todas as vezes em que eu pensei desistir de tudo, ela vinha com uma piadinha sem graça do tipo “aconteceu alho?” ou me puxava pelo braço e inventava de escorregar de meia pela casa, ou até mesmo no dia em que ela gritou “PIPOCA, PIPOCA!” e logo depois veio uma rajada de pipoca em minha direção, eram coisas como essas que valiam a pena a convivência com aquela imbecil. Com toda certeza, não sei o que seria de mim sem ela, talvez eu saiba, estaria olhando para o teto como estou agora. Eu não me lembro bem como a conheci, só que ficamos horas conversando sobre filmes de terror e como o Nêmesis era medonho. Depois me lembro dela falar alguma coisa sobre pokemon e que o seu preferido era o Charizard. Não esperava que isso durasse tanto tempo, nem esperava que durasse tempo algum. Ela não ria das minhas piadas, preferia mais quando eu falava algo errado sem querer ou quando eu tropeçava no nada. Eu particularmente gostava das suas explosões de raiva, do tipo “foda-se eu gosto mais de mostarda do que de você!” era obvio que ela estava blefando, porque ela fazia o máximo para segurar o riso, mas não tiro a razão dela, mostarda é trinta vezes melhor do que eu. Ela inventou diversos apelidos para mim, mas particularmente sempre gostei mais quando ela me chamava de idiota. Confesso, perdi feio e da pior maneira possível, agora estou aqui sentindo falta até das piadinhas sem graças.
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Daquele dia em diante, risquei as segundas-feiras do meu calendário, o Slash já não tocava mais tão bem e o aconteceu alho já não tinha mais tanto sentido. (ultimo-cigarro)
“Se por algum motivo você estiver triste, se a vida te deu uma rasteira e a outra pessoa sofrer o seu sofrimento, chorar as suas lágrimas e enxugá-las com ternura, você poderá contar com ela em qualquer momento de sua vida.
“Adoro o jeito que ela faz eu me sentir, como se tudo fosse possível, como… sei lá! Como se a vida valesse a pena.